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11 de abr de 2012

■ Retroreview: Valkyrie Profile PSX



E aí galera do Games e Prosa!
Trago a vocês uma matéria da antiga "Revista RPG", da qual fui editor e redator. A seguir, vocês poderão conferir um retroreview de ótima qualidade feito pelo meu grande amigo "Dark Knight", um dos caras mais fanáticos que já conheci de Valkyrie Profile. Espero que aproveitem e deixem seus comentários. Abraços e até a próxima matéria.

■ Ficha Técnica
Título: Valkyrie Profile 
Programador: Tri-Ace 
Distribuidora: Enix
Plataforma: Playstation
Lançamento: 2000

A Terra dos Deuses Nórdicos
Começando pelo aspecto mais óbvio, os gráficos de Profile são... diferentes. Nostálgicos seria a palavra correta. Primeiramente, note que estamos falando de um jogo em 2D  para o PlayStation, com sua memória RAM extremamente baixa. Pior ainda, estamos falando de um jogo 2D para PlayStation com gráficos BONS. Claro, não é nada como o que você encontraria em Mana ou SaGa Frontier (mesmo porque o aspecto gráfico, a nível técnico, nunca foi prioridade da Tri-Ace em nenhum jogo), mas ainda assim, os gráficos de VP são bastante agradáveis. Os sprites são muito bem animados, com uma movimentação bastante natural. Infelizmente, a resolução é baixa, fazendo com que os gráficos pareçam mais pixelados. Não é algo surpreendente ou mesmo que prejudique, mas vale tomar nota (aliás, sabendo que o forte do PSX não são gráficos 2D, você pode se perguntar por que a Tri-Ace resolveu utilizar esse estilo gráfico, não? Continue lendo^^ ). Os cenários, por outro lado, são um show a parte. Variadíssimos, vastos e cheios de vida! Os cenários de VP exalam um ar quase orgânico, fato observado, no PSX, somente em Chrono Cross e Vagrant Story. Cada cidade tem um ar diferente, e cada Dungeon tem um design único e cativante, e acredite, são vááááááááááárias dungeons.

Outro destaque vai para o design de personagens e inimigos, que possuem visuais criativos e diferentes. Os inimigos em VP são uma estranha mistura que só pode ser descrita como "shin megami tensei encontra a mente de um japonês estranho". Você entenderá isso quando chegar a hora de enfrentar os chefes. Sim, os chefes. Presença obrigatória! Seus visuais vão de armaduras sem cabeças, succubus sedentas de sangue e magos estranhos. Um verdadeiro show a parte. As magias, por não terem uma participação TÃO necessária em Profile, têm efeitos visuais bacanas, mas nada do tipo: - !OMG, POSSO MORRER FELIZ!". Isso é compensado pelas animações extremamente bem-feitas dos ataques especiais, os Purify Weird Soul (PWS), técnicas únicas de cada personagem. Não há palavras para descrever o Icicle Disaster de Grey ou Dragon Orb de Loki, são realmente sensacionais. Uma pena que haja uma certa tendência de slowdown. Os slows não ocorrem todo o tempo, mas pode ser irritante algumas vezes. Por fim, o mais bacana: as cenas em anime. Claro, só são duas (LOL), uma na abertura e outra no final (sendo esta última bem curtinha =[ ), mas no geral são muito boas, com uma arte soberba e rodando em tela inteira, com apenas um pouquinho de granulação. Aliás, ver Lenneth em versão anime NÃO TEM PREÇO \o/. 


A Divina Arte do Som
Talvez não exista outra maneira de descrever o aspecto sonoro de Profile. Motoi Sakuraba prova sua genialidade em compor músicas para RPGs mais uma vez, com canções de ótima qualidade. Temas que vão do melancólico (cidades) até a musica mais empolgante possível para um chefe (por tudo que você considera sagrado, procure as versões VP de "The Incarnation of Devil" e "Confidence of Damnation", temas tocados na batalha contra Gabriel Celeste e nas batalhas normais). As músicas são variadas e se encaixam muito bem a cada situação e ao contexto geral do jogo, criando uma atmosfera que, remete, novamente, à era dos 16-bit (que saudades...).



E como se não bastasse a incrível seleção de músicas, as dublagens são um verdadeiro show a parte. Não estamos falando de uma ou outra voz que se destacam, mas sim de uma variação enorme de vozes que se encaixam tão bem em um personagem que chega ao ponto de caracterizá-lo por si só. Veja a voz de nossa adorada Lenneth Valkyrie, por exemplo: com um tom muito sério e às vezes até frio, sua voz (aahhh, Megan...) exala personalidade em cada diálogo falado (e acredite, são muitos. Glórias à Tri-Ace, que sempre valorizou o aspecto sonoro de seus jogos), ajudando a cativar ainda mais o jogador. Podemos ainda citar as risadas insanas de Lezard Valeth, o tom sádico de Loki, a voz poderosa de Odin, além de tantos outras... Mas não seria justo resumir um trabalho tão primoroso a algumas linhas. Acredite, mesmo que alguns personagens sejam dublados pela mesma pessoa, nenhuma voz sequer seassemelha à outra. Não é exagero dizer que VP tem um dos melhores trabalhos de áudio, em todos os aspectos, de todos os tempos.

Chute Seus Conceitos de RPG!


Se você procura inovação, Valkyrie Profile é o seu paraíso. Esqueça as mecânicas comuns do gênero: Profile é, à primeira vista, um verdadeiro jogo de plataforma da era 16- bit (Yay =D). Isso significa que a exploração das dungeons e cidades é toda feita em scroll lateral. Isso mesmo, você passeará por VP como se estivesse jogando um Metroid da vida, por exemplo. No "modo de exploração", você comandará Lenneth pelos labirintos de trocentas saídas, podendo ir ao fundo ou à frente quando permitido, cair em buracos, usar elevadores etc. Nesse modo, você pode usar as habilidades de Lenneth para criar cristais de gelo para alcançar plataformas mais altas, congelar inimigos (podendo até mesmo usá-los como plataforma =D. Alguém mencionou Ice Beam?) pular, agachar-se para evitar armadilhas (que vão de explosões a veneno e raios =D) e tudo mais. E claro, poderá atacar. Usando a espada, você pode estilhaçar o gelo, quebrar portas falsas e coisas do tipo, além de atacar os inimigos (fala a verdade, lembrou de Wild Arms 4th Detonator \o/ )


Cada dungeon tem puzzles característicos, que vão desde o simples "encontre o item certo" a coisas de realmente fritar os miolos, como uma certa dungeon do capítulo 8, em que você deve encontrar certas "pedras" que, ao serem colocadas em pedestais, mudam totalmente a forma da dungeon. Aliás, um dos aspectos mais bacanas fica no fato de que não há nada aberto de imediato para você: no início de capítulo, você deve fazer uma série concentrações para identificar quais guerreiros estão a ponto de morrer e quais dungeons irão se abrir para você. Algumas vezes isso é aleatório, e adiciona muito no sentimento de não-linearidade. De fato, você pode passar VP sem recrutar ninguém e completando o mínimo (ou até nenhuma O.O) de dungeons possíveis, tudo a seu critério.

O contato com os inimigos o leva ao modo de batalha, o verdadeiro charme de VP (outra tradição da Tri-Ace). Em batalha, você conta com 3 personagens auxiliares para ajudar Lenneth, sendo que dos 4 personagens totais, 3 ficam à frente e o outro no back-row. A luta em VP acontece em turnos, e cada personagem é controlado por um botão da parte esquerda do controle. Personagens que lutam (leia-se não-magos) podem executar até 3 ataques diferentes, cada um pode ser linkado a outro para combos monstruosos. Você pode alternar os ataques entre os personagens, criando possibilidades imensas de combos, e isso não implica no famoso "vou esmagar os botões e vencer todo mundo". Um exemplo: os inimigos podem defender seus ataques, e se você enviar todo mundo pra um ataque que será defendido, há grandes chances de você estar fud... erm, ferrado (droga, ficou a mesma coisa >.<). Não consegue quebrar a defesa do inimigo? Experimente mandar um ataque do seu personagem mais forte primeiro ou mesmo uma magia para quebrá-lo. Estratégia é fundamental, e a boa seleção de personagens, também. Continuando, quando você executa combos, uma pequena barra semi-circular irá se encher. Quando ela marcar 100, os personagens poderão executar suas técnicas especiais, os Purify Weird Souls, que tiram quilos de energia e aumentam ainda mais seus marcadores de combos. Após a execução de um PWS, há um tempo de recarga até o próximo, que varia de personagem para personagem. Magias, que  são muito poderosas (em especial os PWD de cada magia, como Celestial Star e Cosmic Spear), também exigem esse tempo de recarga, balanceando muito o sistema de batalha.

Mitos & Homens


VP é uma verdadeira viagem ao mundo da mitologia nórdica. Asgard, o mundo dos Deuses, está à beira do Ragnarok, a batalha entre os deuses. Diante disso, Odin, o deus maior, decide que precisa de soldados para ajudar na luta contra Surt, o deus Vanir. É então que ele ordena Freya, deusa com poderes menores apenas que Odin, a acordar Lenneth, uma das 3 irmãs Valkyries. Como uma Valkyrie, a missão de Lenneth é levar as almas dos mortos até Asgard, e dessa vez, ela deve escolher os guerreiros mais apropriados para a Guerra, que já está sendo travada, oferecendo às pessoas mortas uma nova chance de "viver"?. E é assim que ela conhece praticamente todo o resto do fantástico elenco de VP: Arngim, o poderoso espadachim de alma dura, mas coração grande; Belenus, o nobre; Karshell e Lawfer, amigos inseparáveis; Mystina, a maga arrogante, prepotente e egoísta (e todos os outros "elogios" que você puder lembrar...), mas que decide acompanhar Lenneth por algum motivo...; Grey, e sua alma atormentada; Aelia, a mulher com sangue de dragão; Lucian, que vê em Lenneth a imagem de um antigo amor...


Não há personagens "descartáveis" em VP (*olha para Chrono Cross de cara feia*), e o mais legal é que muitos deles carregam vínculos entre si, criando um elenco que, embora em segundo plano em relação a Lenneth, completa a historia de modo fabuloso. Mas algo estranho acontece...
Lenneth, quando adormecida, encarnava uma garota humana... e esses traços humanos não a abandonam de súbito, fazendo com que ela passe a realmente se afeiçoar àqueles que "contrata". Assim, a missão de levar seus guerreiros para lutar ou não no Ragnarok deixa de ser tão simples, ficando totalmente a cargo do jogador, bem como a influência das memórias humanas na deusa de cabelos prateados.

Muito a se Fazer 
Mas o que realmente prende um jogador? Claro que o belo enredo e o sistema de batalha são suficientes para prender o jogador por várias horas, mas há muito mais. Para começar, a não-linearidade do jogo já oferece possibilidades enormes, desde o recolhimento de tesouros pertencentes a Odin (que você pode ou não devolver) até cenas que podem passar totalmente desapercebidas. Há a seleção de dificuldades, que altera não somente os status dos inimigos e afins, mas também quantos aliados você poderá recrutar e quais dungeons estarão abertas para sua exploração. Além disso, há três finais totalmente distintos, C, B e A, que dependem muito do que você faz ou deixa de fazer, já adicionando um belo replay. Mais ainda, ao fazer os finais B ou A, você tem direito a enfrentar o Seraphic Gate, uma enorme dungeon (realmente enorme, do tipo 4 vezes maior que a maior dungeon do jogo normal) lotada de armamentos especiais e chefes secretos ( fãs da Tri-Ace com certeza sabem desses "anjos", presentes em todos os jogos da empresa) e acredite, eles são realmente difíceis, e derrotá-los várias (VÁRIAS^^) vezes pode lhe render um belo item (*assobia*). Mais ainda, se você estiver jogando na dificuldade Hard, poderá recolher itens especiais em dungeons do jogo para abrir outras portas do Seraphic Gate, que o levarão inclusive a três novos aliados poderosíssimos. Vale ainda mencinar que o desempenho dos guerreiros que você envia a Valhalla é muito variável, e é bacana ver como eles se saem. Como se não bastasse, ainda temos o Voice Collection (outra tradição^^) com TODAS as falas de batalha para completar.Ou seja, motivos para jogar você tem de sobra!

Clássico por excelência












Jogar Profile é como enocntrar a luz em meio aos RPGs. É, seguramente, um dos 5 melhores RPGs do PS1, encarando até pesos pesadíssimos como Vagrant story, Xenogears, Chrono Cross e os Final Fantasies. Lenneth & Cia. oferecem uma das melhores experiências em matéria de diversão da era 32-bit, e ninguém tem motivo algum para ignorar esse jogo. Então, agora que já acabou a leitura, deixe um comentário e vá jogar agora. Sério!

Gráficos:4.5
Som:5.0
Jogabilidade:5.0
Inovação:4.8
Diversão:5.0

AVALIAÇÃO FINAL4.9

PRÓS:Personagens carismáticos; puzzles originais; excelente dublagem; músicas matadoras; Lenneth Valkyrie \o/

CONTRAS:Poucas cenas de anime, embora boas; slowdowns ocasionais.

4 comentários:

Que é isso?!?!?!
Caraca, encontrei esse blog pesquisando no google e já virei fã de vcs!!! Só matéria foda, com ótimos textos.
VP foi um marco no playstation. Lembro que o único jogo da TriAce que conhecia era o Star ocean do Snes. Depois fui jogar VP e vi que a soft é de qualidade. Logo em seguida em peguei o SO2 e o 3, que são jogos fantásticos. O VP Silmeria de PS2 também é muito bom. Que pena que hoje em dia os rpg´s estão meio que em baixa.

Adorei a matéria!
Será que vcs poderiam produzir algo da série Mother?

hehehehehe. Obrigado por elogiar a matéria.
Sobre o pedido acima, eu vou pensar com carinho, até pq joguei bastante esse rpg. Mas antes vou ver se consigo pegar o último de GBA para falar com segurança sobre todos os aspectos do enredo.

Muito obrigado pela visita e volte sempre!

Perfeita as consideracoes sobre o game! Tive que reler o post, pois nao encontrei mais nada a altura pra jogar, rsrs

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